quinta-feira, 16 de outubro de 2014

a cada passo

desando por aí
e tudo me pisa torto
me pisa aleijado

parece que todos vêem 
pareço explicito demais

que pedaços meus
que tenho parte
mas que perdi algos

que sou descontínuo
sempre fui
mas gozei algumas tentativas
mas tentei

que ando torto de lado
que ando pisando sem chão
que ando cortado 
que ando exposto

ainda andando
tento esconder esse lado meu 
que não mais meu
mas por aí 

ainda tentando
camuflar no jeito bobo
camuflar no gesto ridículo
achando que ainda tenho casca 

e continuo 
as vezes tendo pra direita
por desequilíbrio

e foco no fim 
e sol no mar
contínuo 

e eu escrevendo uma coisa e saindo outra
e eu deitando de um lado acordando de outro
e eu indo pra cá e chegando lá
e eu partido, desarticulado, em caco, em pulso




sábado, 11 de outubro de 2014

tudo o que diz é, e antítese não é paradoxo.

chega colocando a ponta dos dedos para se assustar sugado corpo intruso dentro de tudo aquilo que vicia e fede.
chega maturidade, chega semente, chega pranta colhe e vitoria vitoria de samotrácia
vai-se indo por lá, vai sumindo e aparecendo, porque chegar é aparecer mas pra chegar tem que sair de algum canto qualquer desses que te prendia.
vai iluminando cores milhares centenas: almodovár todo misturado dá bergman
doce quente amargo salgado sabor cor fruta dente morte amendoim
resume coisas que vê, define coisas que não se resumem, que não se tratam do nome, nem da substância, nem to tom nem do cheiro, mas de ver principalmente e saber que é.
saber que amendoim amassado dá pasta, torrado dá amendoim torrado.
saber que pentear arranca fios mas os mantém, os une e os dissipa.
paradoxização define. que simultaneidade também. mas define sem normatizar, normatiza sem definir. pensa no medo e ele vem. te abraça, te machuca, te empurra o pescoço, o testículo e a vontade de falar presa contra o peito, e o desdém amém jesus.
amém amado, amém.