segunda-feira, 7 de novembro de 2011

diafragma, fôlego e palavra

uma barra de ferro, cujo peso, você não acredita
sendo empurrada, coloca exatamente sobre minha ferida
grafada de palavras, logo, conhecidas a tornar
de um peso silábico, hei sra. língua de me privar

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Aquela palavra

Se eu encontrasse uma palavra, palavra unica, porém transbordando de expressão.
Ousaria dizer por aí, arriscaria o mover da língua junto aos lábios, por vezes, a mesma palavra.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Ao

Ao olhar úmido da moça
Que já não liga pra sua bolsa
A moça que clama ao tio algo do pai
E pensa que o mundo acaba no Paraguai

Ao pai da moça que tem medo
E ao seu pesar por não comprar o brinquedo
Lado vazio da cama, foi quando a mãe desacatou
O sexo frio, o desconhecido, onde tudo começou

A mãe, que pelas ruas sem direção
Um pedro, outro Paulo, momentânea solução
A aliança, penhor, destino na mente
Talvez sonho, desejo, família contente

terça-feira, 12 de julho de 2011

"O telefone antigo, parado na mesinha de canto, tocou.
A menina correu, sentiu o peso nas mãos e falou
"Oi"
Saiu cansado mas apaixonado, esgotado de tanto esperar para sair.
A resposta veio breve e dela começou uma conversa, que se estendeu por horas, se repetiu por dias, que apaixonou os dois, os fez andar de mãos dadas, que os fez sentir na pele, e os entregou aos pais depois.
O olhar de reprovação, dirigido ao menino pobre sentado à mesa da família rica, o número absurdo de talheres brilhando sem utilidade, as roupas de tecido fino, os quadros de pintores famosos, as escadas, as janelas, as paredes, o teto, o chão, o teto, o chão.
Desmaiou de aflição.
Os pais falaram, não gritaram, sem demonstração de sentimentos disseram à menina que "É melhor que estude no exterior" A garota compreendeu que seria melhor, de fato. Não queria trocar seu futuro por uma paixão de adolescente.
Na França, virou mulher. Leu, escreveu, andou, mas só de carro. Foi bem sucedida, mulher inteligente, dona do seu próprio nariz, seu prórpio carro, apartamento, guarda roupa, cama de solteiro.
O menino, agora homem, ficou na cidade pequena. Amou uma ou duas mulheres, casou-se com a terceira. Teve uma dúzia de filhos, uma casa, uma varanda com rede pra deitar, um jardim e uma cama de casal.
Ele não precisou de telefone, não teve carro e acordou todos os dias com um beijo da mulher.
Ela chegou tarde, acordou cedo, tomou café na esquina e checou o e-mail. Mas dentro do apê moderno, no quarto com vista para a cidade, ao lado da cama de solteiro, repousava o telefone antigo, que não tocou mais."


Bruna Oliveira  - My pencil lines 

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Bora pa iscola?

Eles acordam cedo, não usam uniforme e caminham tranquilamente.
No caminho tem tanta gente, já são 7h15 da manhã e o João ainda está escovando os dentes.
Esperam os amigos, passam na padaria, observam as coisas, não precisa ter pressa.
Se chegam atrasados, na portaria tem a dona Zézé que libera pra gente na base da conversa.

_Perdi a hora, trabalho muito, fiz atividades até tarde, estou com dor de dente.

_Meu pai não me acordou, ontem teve briga na minha casa, tive que fazer café, minha mãe tá doente.

_Essa professora de História fala demais, ditadura, militarismo, revolução.
Eles dizem não, chega de lorotas, levantar defunto do caixão.

_Silvana, Larissa e Pedro. Não conversem, prestem atenção na aula!
_Colé fessora. Fica na tua dona. Tem dois dias que a gente não se fala.

_Jamais vou comer aquela merenda porca, as cantineiras nem sabem cozinhar.
_O recreio é tão rápido, ta muito parado, coloca "música" pra agitar.

_Uai meu filho, Ja chegou da aula? Esse nosso sistema tá todo errado!
_Estamos sem professores e a partir de amanhã entraremos de greve por tempo indeterminado.

terça-feira, 24 de maio de 2011

É que:

Vou pedir para você me lembrar, de que tenho tanto para falar.
Vou pedir para não me deixar ou ficar somente a pensar.
Vou pedir para nunca mais voltar, ou seja, sempre ao seu lado ficar.
Vou pedir, vou implorar, quem sabe um dia eu chego lá.

É que quando estou ao seu lado, me falta tudo, até o ar.
E não consigo imaginar, projetar, gesticular e por que não, dançar.

Se a vida é feita de sons, se as buzinas são os tons e as palavras a canção
Se basta escutar, dar um passo e segurar a sua mão.
Por que então? Que medo bobo, menino tolo, meio bobão. 

Vou pedir para continuar a sonhar, não se atreva a acordar.
Vou pedir para fixar seu olhar, dentro do meu, sem me questionar.
Vou pedir para confiar, deitar e descansar.
Vou pedir para você, sem errar, sem errar

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Estado

Meus braços estão inertes
E os sinto batendo em mim mesmo
Minhas mãos são grandes, os tapas machucam
Meu rosto agora vermelho, sinto vergonha

Meu peito, estranho como é, envolve meu coração
Que pulsa, contrai e dói
Ele pulsa a dor, pulsa o medo, pulsa para a mente
Se sou abraçado, nota-se tamanha batida

Meus olhos fartos de tanta incompreensão
Meus pés cansados por caminhar em vão
Minhas narinas ardem
Meus ouvidos
Corpo

quarta-feira, 9 de março de 2011

eu de vocês

Eu sempre acho das coisas
Eu sempre ignoro as pessoas
E sempre sinto falta de tudo

Eu quero meus amigos, aqueles que nunca tive
O que represento a vocês? Mas não, nem quero saber
Tenho medo de ouvir sobre mim

Deus, posso? ainda?