domingo, 28 de dezembro de 2014

a minha vontade é pisar chão sem chão, pisar o vazio, ostentar o abismo sem medo.

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

to com bafo, sai de perto

não estarei aqui a hora e tempo e lugar que precisar de eu
não direi baixinho o que quer ouvir, vou gritar o que não quero falar baixo
vou berrar ocultos, vou fazer miado da mentira tão pouca tão idiota tão suja
a verdade que também não tem nada de bela eu faço questão dela bem encostada

agora eu me
   lançando do outro lado
agora eu modesto, seja modesto jose
agora eu desespero, falta de ar (já tá batido), coração
                                                                                    zumbido
parece que todo mar é vivo, parece que todo céu é mentiroso
é perto longe
é chuva cinzentada, é cor na água

não direi jamais o que quero dizer, jamais direi
é que não sei o que quero, nunca se sabe. será alguém sabe?
vou estar, assim como quem está sempre por fazer por estar
eu berrando rasgando tudo, saindo tudo palpável, deglutível, pra você, sabia?

amanhã implorarei por
     desistir é caminho, parece perder mas é seguir, parece
chuva, parece quem tem medo
                                                 agora chupo, agora sangro da garganta pra boca
agora dói estomago sem fome, e perturba mais por questão física que química

uhum me derreto de estático, de frio
procurando santo pra essa e outra
procurando um cara bem assim, bem assado

como se não falar fosse meu pecado
sentindo que se eu falar nada falei, que se eu contar nunca saberão
sentindo que sou falho de algumas partes, e outras sensações
me fizeram faltando pedaço, algumas ações que os ascendem
mas eu mesmo jamais sinto minha cabeça como a árvore de natal, como a alternância do brilho.

fosco
tosco
sem cor
sem luz
sem cheiro
sem tempero
deitado
sem desfecho
me mordem todo, me rancam o tronco, me recolhem no lugar morto que vivo torto, sem ronco, aqui nessa vila sombria tem mais vida que sobre a terra, sob a terra tem tudo, tem raiz que tudo dá, tem osso que plantaram cá, tem bicho vivo e morto, aqui tem tudo que procurei, silencio, água caindo de vez em quando, só não tem luz, mas eu invento ela saindo de dentro daquele oco, do furinho que fizeram pra entrar mais terra, to respirando algo meio seco, engolindo esse tronco parece que todo, parece que bicho entrou no meu sopro, to cuspindo gente, olha que cor linda. to arrotando bicho, saindo daqui praí, e eu absorvendo essa paz daqui, até que eu comece a falar por mato, pelo galho e pelo vermelho da terra preta azul, é tudo cor aqui, nem tinha reparado - agora com mato na voz.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

loira seus cabelos

o retrato três por quatro é ridículo de tanta mudez, assombroso nas semelhanças e diferenças que são mais que semelhanças. é preto quase branco, é branco quase preto. o retrato que achei, uma loira cacheada, mais parecia qualquer um do que quem eu (imaginei/ino?).
joguei com a diferenciações, com os claros e sem luzes. cada vez apareceu um pouco mais dela lá, cada vez mais ela foi se sentindo atraída, vez sugada, camuflada no seu ritual novo, vez limpa, vez suja. vez só cara dela.
um rosto flexível, sim não talvez. mas afinado ou espremido de cima. aguentando consigo uma duas três quatro cinco seis ou nenhuma marca desdobrável. era marca mesmo que passava por dentro da pele, era marca que você percebia de ver os olhos, brilhando mais aqui, outra vez menos. tem dia de olho seco, tem dia que é comum mesmo ele sendo olho e só. mas já em outros momentos por aí, eu soube, que o olho sarapintava, de galho em galho e suava feito copo com bebida quente.
aí pronto, me veio na cabeça de novo essa ideia do por baixo da pele, ainda que sei que nada assim figurativo vai me pintar um quadro novo só de olhar pro rosto dela sem pele, e mais que isso, a parte ainda mais de dentro, depois da veia, da carne, do asso da massa, e a massa e a massa cerebral, isso tudo só e estranhíssimo que penso que também sou assim ai é a hora de ter medinho bobo. volto aqui: não tem poesia dentro dela que é assim notadamente colorida e esguichando, sabe? eu juro que eu acreditei que nem vocês aí que é só perfurar ou recortar que eu ia ter mais contato.
vou fingir que to rindo de mim, é que não estou achando engraçado não, já que to falando uma coisa que já sabia - essa de que reafirmar é pressuposto de repensar a sentença.
perdoa, pequena medida retr(atual), estou te deixando no plano dois do fluxo todo.
que dois que nada, sabemos bem que sem esse achado eu nada lhe pediria nem ousaria te contextualizar tanto. agora me culpando aqui: joguei você demais da conta,
irreversível!
assim como o segundo um e o segundo dois o segundo três o segundo quatro (continua).
sem volta porque te abri toda, restaurar sem chances, tem parte que se isolou sozinha e pedaços outros que nem seu são - rindo de terror.
te abri tanto, aí to vendo que é sobre isso mesmo que ouvi de uma pessoa (nem legal nem especial só pessoa) - "não fecha não que fica bem comodado!" ô c faz sentido, faz faz faz faz
bum
olha o sentido aí ó

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

a cada passo

desando por aí
e tudo me pisa torto
me pisa aleijado

parece que todos vêem 
pareço explicito demais

que pedaços meus
que tenho parte
mas que perdi algos

que sou descontínuo
sempre fui
mas gozei algumas tentativas
mas tentei

que ando torto de lado
que ando pisando sem chão
que ando cortado 
que ando exposto

ainda andando
tento esconder esse lado meu 
que não mais meu
mas por aí 

ainda tentando
camuflar no jeito bobo
camuflar no gesto ridículo
achando que ainda tenho casca 

e continuo 
as vezes tendo pra direita
por desequilíbrio

e foco no fim 
e sol no mar
contínuo 

e eu escrevendo uma coisa e saindo outra
e eu deitando de um lado acordando de outro
e eu indo pra cá e chegando lá
e eu partido, desarticulado, em caco, em pulso




sábado, 11 de outubro de 2014

tudo o que diz é, e antítese não é paradoxo.

chega colocando a ponta dos dedos para se assustar sugado corpo intruso dentro de tudo aquilo que vicia e fede.
chega maturidade, chega semente, chega pranta colhe e vitoria vitoria de samotrácia
vai-se indo por lá, vai sumindo e aparecendo, porque chegar é aparecer mas pra chegar tem que sair de algum canto qualquer desses que te prendia.
vai iluminando cores milhares centenas: almodovár todo misturado dá bergman
doce quente amargo salgado sabor cor fruta dente morte amendoim
resume coisas que vê, define coisas que não se resumem, que não se tratam do nome, nem da substância, nem to tom nem do cheiro, mas de ver principalmente e saber que é.
saber que amendoim amassado dá pasta, torrado dá amendoim torrado.
saber que pentear arranca fios mas os mantém, os une e os dissipa.
paradoxização define. que simultaneidade também. mas define sem normatizar, normatiza sem definir. pensa no medo e ele vem. te abraça, te machuca, te empurra o pescoço, o testículo e a vontade de falar presa contra o peito, e o desdém amém jesus.
amém amado, amém.

sábado, 30 de agosto de 2014

sim
ele passou a temer pisar o chão para além do chão do quarto
agora teme o próprio temor, fica com medo de o ter, o medo
nem pintar o rosto se pode mais, nem camadas nem
passou a correr em poucos metros de chão firme
chão suave não é seu ponto forte, seu chão
passou a comer de pé no alto
fragmenta a comida não cai
não deixa pedaço fugir não deixou pedaço
respira um sufoco, busca ar impuro e imprevisível
ar estourador, perfura a garganta sair mais além do comum
nãnã
nanã nã nã nã nã nã nã nã nã nã nã nã nã nã nã nã nã nã nã
soprou ar entre ventas nias
sopra essa fortaleza sobre
nã nã
mimimimimimi
ele quer dizer esbarrando pois sabe que nãnãnã é tudo
palavras completas são nada
sabe que busca é o que há de nã
nã nã nã nã nã nã
nom nom nom
o que tem de errado em ouvir?
a beleza se poe a mesa
e ele fala sem dizer
mais uma vez tem medo de coisas, que acontecem e passar a temer
e falando de novo sem dizer, haja santíssima paciência
haja santo pra tudo e pra todos
nãnã
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quarta-feira, 30 de julho de 2014

aos criadores de imagens

e respirar naturalmente, um suspiro.
mas nele dói tanto quanto fosse,
um não sabemos definir.
definhar,
as imagens criadas me cerram ao meio, me distanciam cada vez mais do que preciso para viver, a completude. malditos criadores de imagens, malditos e suas sensibilidades. querem corroer o que me sobrou de vida? fome expressiva essa. grito, sussurro, preto e cor, é que explode em silêncio, o pior deus é o verdadeiro. o que invento é criado, é meu. não retoma o suspiro, por amor a deus nosso. fuja com seus tormentos que minha casa já está cheia e não tem lugar para grandezas miudezas pães e imagens. se tiver com palavras que venham, mas que façam habitação da explosiva vontade de dizê-las. malditos seus, sois. não me venham com sol que apaga, que desenha sem tinta. to pedindo é sopro, e alívio. to pedindo talvez você talvez talvez... quero de novo esse desdobrar, e articular junto o corpo. embora eu sinto as vezes que não. criadores de imagens, sumam da minha, apareçam nas imagens que pra sempre refletirão, e quantas vezes foram rebatidas, e retrocedidas e a real se misturou na efêmera que agora é idiota, nunca saberemos - só que a morte, que é o ápice da imagem, é gozada intimamente, sozinha.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

chama a família toda que hoje tem circo!
circo seco, sem pão.
o circo técnico, inovador. 
é incrível a uniformidade da coisa, soa tão um - isso pensa maria.
e é ornado, duplocromático até.
e nué que num dia desses, maria botou fogo, coitada!
porque morreu sentenciada a ser espremida,
espremeu espremeram que até chorou uma cor lá
meio torta, cor cinzenta quase preta

quinta-feira, 27 de março de 2014

poesia fisgada da boca do josé olímpio de magalhães

hoje fala 107
os estudos interesse auditiva
produzir de dar linguística
para sonoros a telefonia

dificilmente graças, por exemplo
civil perito de análise é
super fizeram e tal
voz gravada acontecem

perito acústica fulano
não é consegue das pessoas
descobrir grafológica disfarce
detalhezinho, sequestro, língua

voz, gravando percebe a boca
chama-se forence, forence
fonética exatamente disfarçam

dela mais televisão blaublaublaublôblô
frequência, normal exatamente
escrevo altero, dados parecendo

alterando mal aquilo, frequência

criança, se você timbre

fácil, gravar e voltar certinho

bom, ah

fonética são interessantes

107, pararam, sim não

ó u auê aí ou

domingo, 23 de março de 2014

bum

meu novo objetivo
é guardar-borboletas nos livros
apagar da memória
é desbunde
é medo

meu novo objeto
por favor, me apaga a alma
vive-se na ausência, sim
vive-te no reflexo, na projeção

que dor, meu deus
tenha dó dele
tennha-me senhor, pra ti

abstenhamos de aniversários, de nascimentos, de pré-natais.
desmanchar meu deus, desmanchar as manchas desse tecido de mundo

eu vou quebrar que vai sair de tudo daqui vai sair de tudo,
escorrendo pela escada da parede do chão do quarto do debaixo do de cima
doeu

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

dorme tranquilamente no sofá da casa da vítima

na televisão tem uma coisa que eles chamam de jornal
lá fala que morre gente, que assassinam gente, que esmagam gente
que botam fogo em gente, que arranca o coração de gente da gente
que executam gente, que prendem gente, que perigam gente
o calor queima na minha cabeça
não preciso sair de casa para ver essa gente toda
essa gente que é suspeita
essa gente sinistra



e o jornal fala é desses aí, mais dois guardas e mais duas gentes, é a lei do silêncio
ladrão roubou carro, depois do lanche o cara ainda aproveitou para tirar uma soneca na sala
gente, é muito chique essa de jornal porque além de ficar em casa eu dou risada
ladrão de 38 anos
foi atingida na barriga

vivência

ouvi batendo lata
é carnaval meu filho
aí passei e enchi o pneu da bicicleta
e enquanto estava cortando cabelo
alguém dizendo que perdeu o filho
gritos

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

fonoudilólogo

percebi agora. agora que tenho várias anos acumulados, a idade é pra gente ir se desfazendo. tá, mas o que queria dizer mesmo é sobre uma nova abertura que me foi feita - sei que tenho a maior dificuldade pra falar e achava que isso era por conta, por falta, de me programar melhor nessas falanças, ou mesmo porque minha madrinha disse que o mais urgente possível deveria me orientar com um profissional da fala, aí ela disse que falaria de uma forma mais articulada, sem querer ficar somente deglutindo e libertando a voz aleijada, cheia de gá. ai ai ai como to me rindo aqui de pensar que esse falar na verdade não passa de um buquê de flores murchando no meio da sala. ai ai ai mesmo é saber que o mais fluido dessa forma de dizer tá no não dizer assim tão claramente, pra baixo não pra cima, tá na sombra entre a pedra e o chão, tá na vontade de ser chique quando se diz uma coisa querendo falar outra. gente do céu mas mas mas como assim essa sintaxe tá se achando toda toda e se esquecendo de que não dá conta nem de dez nem de cem por cento do que tá sendo não dito nesse descrever, discrever? ascresver? pois bem, é só. desempobrecendo imagens, dizendo delas o que nem elas tão sabendo. olha que desalojo, desalogo, digo desalejo.

noventa por cento invenção

eu acho que manoel de barros se amizaderia no josé.
o nosso começar seria numas trocas de inventanças,
lá no cantinho de ser inútil: inutilmente a gente secaria a verdade.

eu acho que seria tão de ficar sentindo a alma,
da gente ouvindo o olhar dos passarinhos,
da gente risos desfazendo das coisas

como elas foram feitas,
e refazendo tudo isso sentindo o cheiro da cor
azul.