quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

essas ruas apressadas

eu não tinha percebido que de tudo eu queria um pouco, ou do pouco um tudo. não tinha percebido no tanto que você me toma a inconsciência, e tive acesso, e agora percebido estou. de que sou, de que procurei, escutei e vi, vi todos eles rostos e ruídos sendo você. andava pelas ruas imaginando meus passos compondo os seus: quais são suas rotas nesse pedaço de caminho que sei que faz? só queria cruzar uma esquina, na porta do metrô, no caminho até a universidade, na augusta, na cultura, no restaurante, na feira, no mac, no momento em que fiquei perdido eu quis, trombar bem forte, impactar, chocar, eclodir, atravessar, tocar, sentir, cheirar, ouvir, encostar, você.
o que perco com o passar das horas ganho com certezas que só o tempo mesmo pra me responder: persistência de escrita, um trem, um falo. expressão de uma ligação tênue, de um erro margeado de acertos, falar da gente é como des.escrever. entre a dor e a hemorragia escolho a escrita que é como um líquido translúcido de dor escorrendo num corpo sem forma.
no dia do meu aniversário eu pensei que poderia receber uma carta-resposta-parabenizadora, entre tantas outras que não chegaram. quanto mais distante mais transportando pra incerteza ou talvez a certeza de que eu queimo por mais umas horas olhando pro seu corpo cansado embebido de álcool e de mim no quarto quente de mim.
amo o amor, é o amor que o sujeito ama. a certeza seria tanto eficaz quanto libertadora, se se substituiria seria agora com esse fragmento de dizer, se pudesse ouvir uma vez mais, ver outra vez menos seu rosto infantil ¬ o mesmo passar de horas responderia também nesse sentido, já que em tantas outras certezas-inseguranças fui assegurado-temeroso ¬ o movimento esvaziamento escritura, retorno à ilusão, a umidade, a sedução. você é o outro, e eu todas.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

sao jose

eu não sei se tem mas tem um trem todo me ferindo o nariz fingindo pequeno incômodo eufemismo pro abismo que me abre cada vez que começo a crer numa pequenez pontada de vontade de continuar vivendo por motivos idiotas mas que preenchem meus fluxos antimusicais
são paulo eu não sei se quero você ou o que eu acho que você pode me querer também oferecer

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

que pena

como se perseguisse
ímpar em ímpar, terror em par 
acontece 
de dois ruídos infernais em tom de melodia mas não
eu preciso de um espaço sem um tilintar de talher 
sem um pisar torto
preciso de muito barulho num frenético
de que pulsei com o corpo

constantemente vivo persistentemente juro 
que falar de quem, de mim que não 
não quero falar de mim eu pessoa que aparece 

como se seguisse e fluidos 
mas não é bem essa mescla
é fruição
rosa e manjericão 

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

1

o ímpar e eu com dois pés: bordo e afundo no furo.
parênteses pra "recordar"
que a boca pode muitas coisas
e a sua nada mais que todas elas.

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

seu postal

queria que meu corpo mentisse pra mim

terça-feira, 6 de outubro de 2015

violência

pé no chão meu bem
mesmo sendo tudo luz e molécula
pés no chão
que sou desse tempo em que as coisas tem tempo
certo quando chegar em dizer em cumprir
que a violência convive com as mãos
que desenham outras nuvens
pois vir a ser é um contínuo
e sou apesar de sendo
mas sendo eu sou pé
afundando
em terra

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

aterro, seu lixo

tive sonho de morte
dentes, um a um despencando
sem dor.
tive medo de morte
qualquer, amigo parente
seja quem for.

medo me caiu como uma luva
que de mãos feita pros pés
e matei! desculpa o me.
eu juro.
não sou o fluxo que te mata.
eu quero matar, na verdade
seu suicídio.
pensar em você ainda dói: ah morre diabo!

que vou jogar um punhado de terra na sua boca

domingo, 27 de setembro de 2015

mais pra menos menos pra mais

25
se eu regredir avanço
e assim se vai, somando idades
pruma distancia do que devêm
cada vez mais proximIdade
assim soma-se pra subtrair-se

hoje estou tão
e estar tão é como se
estivesse estando
embora
em bora
casa, qual delas se não nunca tive fui?

estou e escorre
é gostoso
como mastigar grãos
como forçar uma risada e ela vir
aí você ri mesmo
é triste

recuar dias
recolher risos
distribuir outras coisas
se já que é
se é seja

e é assim eu digo
que as sensações são
todas

eclipse é grande e
estou impaciente
porque meu bolo cresce e eu sorrio
quando experimento
o doce

idade, e escrevo cada vez
juro que se o fizer saberei de cada vez
mas nunca se sabe nem na vez
e o tempo corre carregando:
a cobra debaixo da bacia do menino tomar banho, o helicóptero que não voa que o padrinho deu de presente, a cobertinha betinha não dorme sem ela, o bico que a vó jogou no lixo sem avisar, as tardes comendo pipoca salgada em frente a televisão preocupando com o que preocupar, o computador novo, as folhas dos cadernos das matérias das matérias, o rosto lisinho, o pó de giz na calçada que dizia um trem que só no giz pra sair mesmo anonimamente, a puxada de bermuda na fila pra pegar merenda, o medo de passar por ali por lá, a pessoa que veio tão e tão se foi...
as vezes acho que a vida é assim mesmo.
parabéns, aos quinze minutos anteposto. qual foi mesmo o horário certo que me fizeram respirar essa poluição?

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

"saudade é ser depois de ter"

e ser é apenas ser. complicadamente, afinal, entender o que pra que como que afinal. essa insistencia de por em ordem uma desordem, por desordem uma ordem. 
ordeno o que não controlo, esse fundo pululante me fazendo levantar todo dia da cama, as vistas tremendo, aquela claridade, e a insistência da sequencia, de uma regra de um ordinário, ser um. 
também ordeno à por essa linguagem impossível, to puto demais da conta, ai como é terrível, aproximar pra distanciar cada vez que se quer e vem o oposto, parece que é assim mesmo existir: uma distancia atrás do referente, um código atrás de outro. 
se eu te pedir para vir cá em casa c vem? aí vou pedir uns outros favores cena idiota e mal construída, mas é que é uma unica forma que me parece fácil e possível de eu ser minimamente um tocante de entendimento no outro entendimento que é o seu. eu só sei sair escorrendo bobagem desdentada. eu falo numa boca de língua tamanho fora do padrão engessada seca e destroçada. ahaha SRA. SMITH: "Vou-me embora pra Pasárgada." SR. MARTIN: Sully! SR. SMITH: Prudhomme! SRA. MARTIN, SR. SMITH: François! SRA. SMITH, SR. MARTIN: Coppée! SRA. MARTIN, SR. SMITH: Coppée Sully! SRA. SMITH, SR. MARTIN: Prudhomme François SRA. MARTIN: Espécie de gargarejos, espécie de gargarejadores. SR. MARTIN: Mariette, bunda de marmita! SRA. SMITH: Krishnamurti, Krishnamurti, Krishnamurti! SR. SMITH: O Papo derrapa. O papa não papa o sopapo. O papo despapa por sopapos! SRA. MARTIN: Bazar, Balzac, Bazaine! SR. MARTIN: Bisar, bisou, bisonho! SR. SMITH: A, e, i, o, u, a, e, i, o, u, a, e, i, o, u, i! SRA. MARTIN: B, c, d, f, g, h, l, m, n, p, q, r, s, t, v, w, x, z! SR. MARTIN: Do alho ao óleo, do óleo ao alho! SRA. SMITH (imitando um trem): Tchu, tchu, tchu, tchu, tchu, tchu, tchu, tchu, tchu, tchu,

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

esses meses engolindo indefinidos

tratasede um ano de muita letra e poucas palavras. um quando da coisa preexistente a coisa mesma. sendo essa mesma um trem. um trem gigantesco, desses que se percorre, desses que pega do começo ao fim da cidade. tratasede um vagão vazio para brincar. é um ano de pó, de rir doendo. acordar querendo dormir, dormir dormir dormir uma canseira infinta. sabe quando não se sabe mais o que se sente, algo que toca e não se identifica se no braço, dedo do pé, um fundo da barriga parece nas costas. é um gesto vago, parece feito pro ano em que mãos apenas, tão e simplesmente, leite, mãos, as mesmas que tocam, que escrevem, que enxergam. tratasede um ano cambaleando dias poucas horas segundos nada apenas tênues, molecular, e vai foder foder porque essa fuderola codificada é antireferência antinterpretativa antigamente antievaporação. quero dormir o corpo parece natural da cama.

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

fui assaltada

giro a chave na porta de casa avanço meu corpo pra dentro de casa entro em casa e tudo ali estava como se me esperando entrar pra entrarme. esse seu cheiro me invadindo as narinas ativando memórias desdobrando em sensações como arrepio como suspiro como soluço como lágrima começando a brotar nos olhos.
perdido dentro dessa casa que agora tão mais sua que minhas rotas rotinas retinas. o branco das paredes desenham seu corpo, seus sons ainda ecoando de gestos restos certos imersos. como gritar quando se grita tão irritante sou a tu a mim próprio a tudo. se cada vez que o chamo é como deschamar e dizer que estou dramatizando uma coisa besta que só. 
portanto dizer de uma reciprocidade uma cidade casa bairro um bairro rua uma rua casa uma casa sua. é sua e estou cada vez mais abandono desse lar. 
é que habitação pra roubar. não mais abrirei as portas. 
é que habitação pra trancar, engolir chaves. 
é que habitação.
um território qualquer que não se sabe a ordem nem lugar nem limite é desterritório. e riso y gosto. 
olha pra essa cara fios de luz derrapa na ventania, fio luz fio luz escorre. se está me olhando me vê, me olhando me rouba de novo como tudo você me rouba. 
explica-me, onde fica o arroz? o copo? estou perdido imensamente nessa imensidão de cômodos. e é claro que clareza infernal de tanto brilho só meu rosto não reflete se reflete é pra ser roubado, de novo.
falar que sente também é tão simples mas quando não se sente dói mentir mas a gente numa falta de cuidado ou deslizamento mesmo vai dizendo e planta (sem regar), seca como todas essas plantas que tentei trazer vida pra esse lar.tudo morrendo. affe
voy tomar um banho gelado. 
coloca música?

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

147 148

desviar da situação
quando
deus demônios
partem
rapidamente Da parte
de todos.
Essa
liga dos
demônios
serviu ao
ser
mas
ser
é
uma
intenção de ser.

intenção
do nome
anunciado por
nome.
A sua
ferocidade
afirma
vida e morte
simbolo de uma
verossímil
juventude que
Santo
também foi.

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

cruz

perguntas, ao eu. se minhas respostas são questões. se estou assim me respostas, se  me corrompo e me interrompo de perguntar.
hoje penso, como tantos outros dias, e momentos: o rafael.
se eu pensasse sempre que pensasse em você: implodiria.
mil ultrapassam coisas, mania de utopia, forma de dar impulso pro pensamento furar contornos. é exatamente quando tento exprimir.
antes da morte, a pequena. anteposto de gozo, eu só eu, ou seu corpo, de novo: extrapolo o quarto.
a voz muda é brasa no vento, frio em chamas.
mudo eu sou fluxo, uma vez costurando  o vácuo que ficou.
com efeito de, vou até, te encontrar e ser encontro em ser.
preciso e te amo, estranhamente que é dizer amor, talvez nunca serei beirei terei. ouvi que é assim e mesmo se não o tivesse eu me extrapolaria embora. sinto antes de dizer, sentiram antes de por em figura, assim é estar, colidir, que te quero, e não é ainda o tudo, como se prelúdio.
somos premissas
pairando. 


áurea

dentro,
um homem
nasceu de seu mesmo.

progrediu
anos
foi nomeado
nesse entre.

morreu em autor.

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

cristão

acordei ouçando que deus
na voz dos seus
é abominável e ante 

que a gente paralítico 
na presença do senhor jesus
tem força maior
que voo  

abri os olhos pra deus
sou teu, senhor
mas assim o tornas meu também 

hoje falo por deus
melhor, por deuses

hoje danço pra deus
e sou feliz
o deus de mim

também crio
também curo
também calculo
só não quero destruir
dizendo construindo 

a recompensa dizendo graça
a insegurança dizendo fé
a queda dizendo glória
o fétido, azeite
a fala, chumbo
o coração, fumaça
mudança uma reaça

sou deus, sou meu também
dono de quem?
por que ser dono é como domínio.
céus e terra, mar
fonte, e os vales da sombra da morte

sua graça me basta: tenho fome
sua presença me atrai: pras extremidades

acordei
e falo por vozes
sou encarnado, e amo

completude no interdito
abri o olho
e ouçando
ouvindo
derreti, sou cera e vários moldes
estou de todo a me encaixar

a melhor é ouvir quando quero mesmo
que assim seja, amém glória
amém deus pai

amém deus espírito de graça
que basta
que assim seja, ao eterno, e justeza
e voltarás santíssimo
como sou mais que nunca
que assim seja. 

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

desdobramento do instável

de manhã, e deliro.
estradas até mim, criança gorducha,
pele dilata como ferro em brasa.

de manhã, e deliro.
exercício de ultrapassar o teto.
é sem des esperar
há guiar-se pela razão,
há a fé razão! contrapartida.

pertenço a esfera do deixar.
ao menos ensaio, ou
medidamente, pertenço.
vez que decolo pra pousar
partir é de retorno.
inalo como quem expulsa.
e sigo de volta pro nada de onde saí.

esse escavar é o libertário de mim.
e assim tom pastel é minha tela.
enorme respirar meu sufoco.

ontem orientei o fluxo, e o vi!
ontem o vi, para além do fluxo.

sigo sem sono, sem boa
noite em tempo de luz demais.
estouro em tempo de implodir.
oxímoros
beijo novamente a estrutura do que vejo e
relampejo, ultrapasso, saio ileso e sem memória
de um tempo que nunca será.

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

des crever

nascer
é também
poder.
espesso e denso
da vida à existência:
o poeta teia a vida.

a poesia,
a concretização,
o sonho,
o peso,
a história
e o recalque:

tensão entre o impulso do devaneio
e a dificuldade na qual
o objeto entre o sujeito e o mundo.

se trata de elementos revisitados,
uma outra preexistência.
a possibilidade do vôo,
poder da imagem real,
não apenas de bolinha,
mas de pombas.

AN-DE

quinta-feira, 23 de julho de 2015

desculpa

"estou triste tão triste. por que será que existe o que quer que seja?"
não quero sertão seco assim como deserto é cheio de areia.
me pergunto se acontece com você também, das vezes a saudade doer mais. 
equilibrando sobre duas facas, eu peço que me tirem a metafísica.  
deixa eu esvaziar você de culpa, é claro, é penumbra. 
sempre vem noite e com ela essa sensação ridícula incontrolável maciça e íntegra
de que "o lugar mais frio" é o meu corpo. 
tremendo de vontade de percorrer toda distância que tanto define meu pavor. 
distancia de que, de quem, de que lugar, de que segundo tempo? 
de mim!
estou triste, pouco triste, muito e tão triste, descolorindo. 
meu socorro é: inevitável quero evitar, sentir tanta tremedeira e o corpo frio, estático. 
minha lamúria é implosiva, desculpa por gritar tanto? desculpa. 


sexta-feira, 10 de julho de 2015

são seus olhos

com sua razão,
sim eles.
remexem à procura por qualquer princípio de fim,
vagam quando se pensamentam.
eles, sim:
relampejam de medo quando desejam.
pois sabem que quem tem cor, também tem tom.
de feridos são cansados.
de vermelhos são molhados.
sim eles,
que se escondem por dilúvio seco,
na imensidão que é rir sem mexer um músculo,
as pálpebras exploram o negro, os reflexos
os sexos.
são sim eles, a senhora tem razão.
será por isso, Édipo?
será os olhos a maior porta? ou a janela maior?
de tanto ver e sentir,
de sentir e depois ver?
não estou crendo!
mas com sua razão,
eles, sim
meus olhos, assim como os nossos.
a encher de imagens.

segunda-feira, 6 de julho de 2015

receita de bolo vegano

hoje meu dia foi fubá
amarelei pro gosto
pus canela, preteou
tão macio, fofo
tão cremoso, quente
até meu nariz pediu pedaço
de dor que as vezes me vem
até curtiram a coisa em rede.
que pixels: que sintonia de pixels: é bolo.
hoje ainda tinha glitter ou purpurina
acima dos lábios
entre pelos
um tão diretamente feixe da fluorescência
bateu
revidou
direto no trem brilhante pro espelho
que revidou espelhou dos olhos de alumínio
identifiquei que era festa de horas antes.
o toque, discursos
afoguei. 
foi sim, há umas horas
hoje foi o que teria sido ontem
e agora ta sendo o hoje foi
fubá, farinha óleo, açucar
linhaça, leite de coco fermento pixels, bolo partido
que parte

sexta-feira, 3 de julho de 2015

também estou desencontrado

"onde fica os livros de amor sedução sedução amor?"
por tema não posso saber, título cê tem?
"tem pra vender? tem?"
todos pra vender.

ele com uma pegada molenga escolhe um dentre os livros, imagino o livro despencando.
escolheu justamente esse que não fala de amor sedução sedução amor.
reposiciona-o, mal posiciona-o.


nesse curso que é o tempo: "posso parar aqui não!"
"tem pra vender?"
todos são pra vender.

saiu desesperado, se pressa simplesmente, sei lá.
pisa convicto de que o chão sustenta um peso, um seu passo desdireto. torto.

ele passa ainda desencontrado duas vezes mais pela porta: cheio de título na cabeça cheio de cabeça no amor na cabeça sedução amor cabeça amor sedução cheio de título na sedução na cabeça de amor de cabeça cheio de título na sedução de amor de amor na sedução cheio de cabeça de cabeça amor na sedução título sedução amor cabeça cheio


quinta-feira, 21 de maio de 2015

"pelo menos no dia de hoje eu quero ser árvore"

de sobre dormir morta pra não acordar viva
coragem, encarar o vazio, o limite do céu
é de tanto toco oco que grito, pra ecoar.
pra ver se voz, assim reunida, no ser você ser eu
pode furar de vez o céu, pode romper

de sobre amaciar nuvens duras
e trasmutar de um pro outro
de outro pra árvore, pra caule.
pra sair contando uma a uma na calçada
pra ser fixo, mas também sensível ao vento
fazer sombra, secar água, dar fruto:

verde
maduro
podre.

secar no chão,
aí vem a água de não sabemos onde,
talvez do furo no céu.
e germina
esse caroço, duro de doer
e explode mais folha, mais vento, mais fruto, mais fluxo

terça-feira, 19 de maio de 2015

frieza engorda e tira a produtividade

virei pessoa bilhetinha
toda sangue 
virei não
eu to na metamorfose sem asa
auto, alto, muy alto e fundo
é a cor do meu pulso
extraio do seco
impulso de vento
quando toda cor branca
quando todo tom é pastel
todo café é sujo
toda frieza é pedra com água com
virei pessoa bilhetinha
e sei que proclamo
rompo
espalho o mal
de
mais
quero agora um casaco
pra estancar o sangue do corpo


domingo, 26 de abril de 2015

contracorrente

sair dos teus poros para escorrer-te
saber sabor por sobre seu ser

desejo parar de ter que querer

lanço-te agora ao mar
boto peso no teu corpo
pra afundar

meus olhos ainda percorrem aquelas paredes vazias
cada grão de areia desde a praia ao oceano
cada um de mim é cada ser seu

pronto estou pra escorrer com tu
já que a vida aqui desfalece pois
é hora dessas ruínas nos serem

sair do teu pulso como sangue
saber sabor por sobre seu sim ser

desejo parar de ter que sempre ter que

lanço-te agora ao fim do sem fim, sempre
boto peso no meu peito
pra suspender

meus olhos ainda percorrem aquelas memórias sujas de lindas
cada grão de areia desde a praia até minha casa
cada um de mim é cada ser só

pronto estou pra recolher cada gota salgada
já que a morte aqui nasce pra morrer pois
é hora dessas estruturas ruírem

domingo, 19 de abril de 2015

lugar da casa

o que é a repetição senão o demônio todo de escrever?
a manipulação, a conotação, a mania de complicar,
o falar sobre:
mesa redonda descendo uma rua reta
água esfriando quente em cima da mesa
um quase acontecendo
toque de mãos, troca de olhar, ansiedade de ver e poder

a música tem hora que parece nada, segundo plano
mas outras vezes desenha bem bom, com cor e tudo o lugar e o acontecer

fome de nada, ou de algo que não tem na geladeira ou no armário
a pontadinha
o belisco
o peito em fúria de tanto porvir impossível de interditar
a angústia e a aliviação pela passagem de segundos
desde que nasceu ele nunca deu um segundo se quer
pra mim nesses relógios todos

a cozinha que parou nesse passar
ela toda laranja, depois toda branca, depois vai de novo
ser atualizada

as palavras e as coreografias estão registradas por cima
daquele chão vazio, retocado, infiltrado de tanta água rapada
uma cozinha cheia coisa coisa coisa
de tanta espuma suja
de tanta bolha
de tardes quentes, ainda em telha
a limpeza vã, o tanto que tentei agradar
nada desse tudo está em ruína
só a minha
falta
de
saber
como
é
que
se
diz
o
indizível

sábado, 11 de abril de 2015

cleee

oi, eu fico vazio quando mais preciso ocupar. a gente brinca demais com as palavras, aí vem elas e fazem a coisa do tipo quando a gente quer encontrar algumas delas pra repor pra despor pra inferir e dizer mesmo, pra alcançar um pouco, pra somar ao corpo do outro, um desenho uma mancha, elas somem de mim demais! a sumiçaria está para além sono, está para além eu mesmo, quero dizer que quando quero não posso, quando posso não quero, o momento z é o momento xis na minha vida, o momento xis quando tem seu momento está querendo ser z.
é que agora que você me ligou sua voz me atravessou tanto, ela me ocupa as vezes para além significado, o som o código por si só, é que isso me desperta toda uma acumulação. gosto do tanto que a vida é fluida, continuada, a gente sempre achando que tudo passa e tudo se descompleta, é então que um som seu articulado me recua anos, eu fico circular, tudo reacende, o código é uma linha em que tá tudo amarrado, pontinhos em nó que seguem e eu vejo os desenhos as fotografias os sons os toques as temperaturas o paladar a vergonha a certeza o risco. você é carga vazia de tanto tudo!
um trem nesse interdito me impede tanto de falar claro, sobre esse claro, que claro é? na minha projeção interna consigo ver lá você e eu e a gente bem perfeitamente, a definição que é doida demais da conta, mas se eu quiser mesmo arriscar tá no esquema do fermento, do quente, líquido, esférico, de um morro que subimos pra descer, pra subir, descer rolando, subir cansando, descer devagarinho, oscilação – ousadia! eu atravessaria agora esse tanto de porta frouxa pra encurtar o fio entre nós, tornar abraço tão forte, que arrancaria sua bagagem de gelo derretendo, a gente poria isso no fim do sem fim, o gelo pra lançar fora, derreter no asfalto todo.
se eu soubesse a direção que voz precisa pra furar tudo, pra arrastar o z e aproximar o x na hora h. ou, corre pra cá que vou só sorrir como que quem reflete um futuro próximo. mira meu corpo estranho, mira meus movimentos ridículos juro dançantes, doente, são gestos de afirmação do bem, de que você pode me atravessar quando quiser a hora o lugar a linha o desenho que quiser, que pode e deve correr pra bem distante e voltar que estou por tu, mesmo com muito barro na boca, mesmo no oco, no tronco, mesmo ostentando o deserto que me componho, é que nada me poe do avesso tanto quanto lembrar e saber que escalar o morro e chegar no ponto bom e panorâmico é tão meu e de quem é eu, de tu e de quem é tu, que quando achamos que tá muito liso e escorregadio o chão, a gente se permite ir deslizando pra escalar de novo, braço e perna não faltam, a gente adormece-os na escorregadinha, isso os reaviva numa saltitação, até o pé do morro tem lá sua cor. 

sábado, 14 de março de 2015

quero saber como é ter ar

desde que pensei desde a primeira sensação
assim eu pensei e quis privar esse texto 
não queria por na letra tanta desfantasia
pra dizer que to sufoco que só
que pareço nunca ter respirado
fora meu desvio de septo, fora minha renite
fora alergias, fora expulsões - né nada disso não
to sempre por querer soltar um ar mais de dentro
mas sua presença me reprime, ela lá longe consegue
seu gesto, noutro cômodo, atrás do tijolo do cimento
é incômodo.
me engano, engano as pessoas, engano meu tom
num silencio que faço, tudo me é propício, e nada me sou dito
eu torço quando sua boca me fala
arranho, rio, escorro, posiciono, perco, me enfio num pensamento grosso
é só você presença, tudo em você me morde demais. 
sobre ódio, sobre algo que não sei sobre
estou temendo definir demais, só sinto arrepio e essas outras 
só sinto que sim, estou espumando de agonia
exalando aperto, descomposição 
procurando ritmo, e meu respiro é sempre pra longe demais
vai sem retornar, ou retorna sem ir.
você sempre foi despresença no quando sim e muipresença no quando não
seu som, seu cheiro, sua saudação, sua cobrança, sua permissão
é tudo uma coisa só: prisão

quinta-feira, 5 de março de 2015

absurdo

foi pois assim:
seu corpo cruza o corredor da sala, decide outra fileira
eu lá seguindo com meu ver, cum certo horror de ser visto
estático corpo meu contrastado pelo movimento de seguir você com o olhar: sua nuca, seu perfil, as vezes seu gesto
calça, rasgado no tênis.  
por fim olhares se debatem, talvez por perdido ou rastreamento do espaço
ai percorri, pós aula, os corredores daquela letras 
percorri te vi, te revi
uma outra três vezes
olha isso pra mim enquanto vou ali, fazer nada. 
inventar fazer.
só queria te saber como é assim o todo do seus olhos mais próximos, (e nem tive coragem de encarar tão como queria), acabei encarando mesmo outras partes, a perna na calça, - desvia esse olhar, saia logo! procurei motivo pra ficar mais, poderia perguntar seu nome. mas nada me parecia tão convincente de que realmente eu tivesse que fazer aquilo, eu todo culpa e raiva por pensar o que tu estava a pensar de eu. - na volta eu pergunto o nome, antes do obrigado. não o fiz! 
sim, sim
eu idiota de voltar pra casa escorrendo no rosto, castello branco jorrando letra, ônibus que toca a roda que toca o chão, sacode as verdades incansáveis, crer-sendo. 
e sabendo que quase nunca a coisa acontece tão esférica, retribuída. 
eu to desmanchando, agora que cheguei em casa to dessabor. sabendo mesmo que vai passar por logo, ou nem. 
é de tanto saber que nada sei.
e to desde isso oximoro puro. por pensar no que talvez desdobrará, sendo bom bom sendo ruim é mais certo que! espero o pior pra ficar azul de vez

terça-feira, 3 de março de 2015

laís

"há mais de 22 horas com o nariz numa chatice espirrativa, uma tal de expulsão" - ela pensa até quando ele, o nariz, ficará nesse estado bobo, se nariz não importasse tanto, se nariz fosse outro, nariz nada viu. o que a apavora é outra face da história - isso sou eu de captando a voz interna da pessoa. capto e transmito, mas mesmo assim é muito que certo que talvez que eu não dou conta de falar sobre laís, ver de fora é bom, pode ser criativo, pode ser malicioso, feliz, sorridente, espirrativo, mas ainda distância é, ainda invento na sabência de que são possibilidades impossibilidades incontáveis versões de um espelho irrefletido, de uma bordinha, de um sexo outro, de uma finura de pensar tão delicada que arrebenta na tentativa de pendurar nela tanta investigação vazia, fútil.
a outra face da coisa, portanto,  é a laís pele azul e vermelha pegando fogo, nos dois sois do dia, a boca provando o alho queimado  "sei que é amargo mas o gosto primeiro é bom" a comida quando fica pronta, o grito que convida quando tem gente em casa, a mesa ocupada por mãos, por tilintar, ruídezas, formalidades na hora de servir aquele feijão aquele alho.
a outra face da história, o barulho das chaves, a vizinhança que "não quero olhar pra não ter que dizer ois, muitos ois, muitos olas, tudo numa superficialidade cansativa".
a própria face que queima ao sol é a face da maneira que escrevo, a ansiedade por ser nada, ou talvez uma outra coisa que teme. toda sua coragem está no que sentiu quando pariu, "nunca pensei que trem grande daquele me sairia", e olha aquelas crianças tão fluflus, quem diria que pós um já lhe expulsaria outro.
o corpo não gosta de nada que lhe queime, o corpo expulsa tanto.
e se cada oi ois olas fossem beijos beijos até um dia, até o dia em que ela quiser e tiver toda disponibilizada pra mandar mais beijos e beijos e beijos. e se cada vez que saísse pudesse colocar a máscara de cebolinha, a lembrancinha de um aniversário alheio, botasse isso na cara, sofreria tão ótima lá dentro, arrancaria comentários, sorrisos, e sua face vermelha ali no infinito protegida como nunca na borracha.
o corpo expulsa o que a face esconde, talvez. "queria fazer tudo no meu tempo, na minha vontade, na minha egoismeria". um fio de sensação estranha, fria e quente simultaneamente, lhe escorre e lhe sobe, simultaneamente, a espinha toda. depois escorre e lhe sobe de novo, dessa vez pras pernas. e se pudesse sentir isso quando bem quisesse, e se escorresse sempre que sentisse muito calor, sempre que o suor quente lhe brotasse os poros? "quero derreter mas um derreter frio", ficar solada nesses asfalto, aderir feito chiclete. "um dia vou ser petróleo e servir de algo bom pros homens e pras mulheres". mas ana, tu já serve a si mesma, e é servidora de tanta coisa boa, de tanta comida, de tanto alho queimado, e feijão, e ensina também, soube que ensinou joaninha a preparar um bolinho de mandioca que é só mandioca e farinha.
"preciso devolver esse tabuleiro", mas precisava disso na hora que pudesse e que quisesse, nada de obrigações. como ser suave nessa esquina se tudo lhe surge como demanda, como meta mais que objetiva e focada e ali dentro do plano mais que perfeito? me pergunto, ao ver laís assim, se alguns seres que vejo expandindo os lábios e mostrando dentes, se esses vivem nas obrigações da vida também; ou se eles sabem exatamente que ponto da coisa toda abstrair, se sabem quantas horas precisam dormir para recompor todos os fios de pelo do corpo, que sabem capturar muito bem a força da cama. ou se roubam dos outros, ou se o próprio gesto de arregalar a boca é reafirmação de "sou também a obrigação da vida".
laís quer casa, quer cama.
láis você, você me desperta o inútil, o corror, o sofror, o donsor, o toirir, o chautir, o céu cinza, a nuvem linda na mutação, na formação de fauna e flora. até humana.
talvez ser laís é ser humanidade só, "bicho torto pousa a flor linda", suas afirmações torcem o peito, e o seu fio, o que arrebenta fácil fácil, me sobe e desce todo também. sinto o ser laís aqui corroendo feito coisa bela, algo que corrói pra ser gostoso, que é gostoso pra corroer, dor que borbulha perfume, queimadura que coça bem sutilmente, a gente vai pela borda se aliviando.
laís, é ser pela borda, é sugar e expulsar.
"é poder ser quando quiser mesmo"

domingo, 22 de fevereiro de 2015

gota por gota

hoje preciso falar sobre horas antes
que é bom o atrás, tá na palma da memória
que se falo do agora sai um palavriado
sai sem sair, fala sem dizer, e redundância.
passei o tempo suspirando fundo
peço mais catuaba, dialogo de um cansaço
saio pisando oco, ainda ostentando abismos, o risco, o pulso
deslocamento, rapidez, mesmo que prevenida em certo medo
e lá estou, riscando a pele e reconfigurando
o resquício do carnaval, a purpurina militante e resistente.
e lá estou roçando lençol, o tapete no peito
a ilha perfumada entre o olho e a orelha
talvez filme talvez música
esses ficam suspensos, viram a cor e a presença além nós
que agora também suspendemos, reviramos, queimamos
talvez comida, talvez suco, limão e laranja
puro talvez, pura pausa pra cobrir alguma fome
um tempo mais, só pra descer, pra não querer voltar
pronto cá estou, e está também
na luz de nós, mais nítida e cinza cor
que a luz do sol (aquele só, aquele sem falta de outro)
cá aqui é dois, e dois quase num, quase nus, nus
preenchimento, da nisso
da no rompimento, da no fluir, espirrar, escorrer.
a noite é de quem respira por troca do ar do pulmão
é a noite da pele em flor, que também escorre
apreende
dente, mão, dedo, perna,
quase mutação, mas ainda um, um risco, uma possível completude, esfericidade, o mútuo.
que ainda queima, aponta, soma, anseia, vaga, infere, chama, chama
cá estou

domingo, 1 de fevereiro de 2015

ano ran cor
gente podre
cheirosa
dia bom
rua cristalinamente grossa
lençóis sujos
dente podre
nojos
posses,

ano uó
ano dedo no rabo
mão no saco
de laranja
assar
água, rio,
seca enchente
fio apagando
gente na correnteza

ano eu
suor
marca
expressão
olhar inverso
sorriso duplicado
coração na testa

ano limite
pula pula
despencamento facial
escorrimento corporal
derretimento emocional
abastecimento
congelamento
repouso

ano bunda
desapego
tripelês
andariês
pescocês
pelês
corrês
mariês
putaquepariês
trem bão

ano a desgraça me chama
ano o caralho a quatro
ano a poesia lixeira
catadora
e bem vinda sempre
vento que sopra quente do ventilador
circular é circular
integração é com cartão
cala a boca cuida do seu fluxo, reclama com quem manda
eu só só só só só só, eu só sou só
sou medo querendo explodir sereno, sou catador
vou trazer lixo até dizer chega
até ano todo escorregar
e eu retomar tudo, repetir, repetir
ano isso ano aquilo

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

book of days

meredith monk me socorre
vem me ajudar a soprar esse aperto 
fazendo barulho bom
eu to soprando há dias só coisa velha, muda
vem conduzir minha ventania
fazer exercício com a garganta
vem me ajudar esvaziar o chumbo do peito
movimentar o corpo, sincronizando a voz 
a linha do pensamento a finura da sensação
é muito isso é muita cidade é muito caco
quero teu passo, tua trança 
três mechas, faz trança!
não, eu quero é baiao de dois meredith
preencher lacuna com ar novo e fresco
socorro 

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

aquela vontade de ontem não passou

fernanda esparramada pelo chão
é contradição de estado de ser, do que se doa, do que se retrai
alguém segurando seu coração, você tomando de volta
menina que de três sois, não divide com ninguém um sol se quer
isso eu dizendo besteira, é que tenho seu sol aqui queimando
"Ontem eu super fiquei falando de você rs"
me faz calor desde então, brasa na nuca
não sobe morro, morre de não querer
mas eu, dona sabencia, faço drama, o amor é assim acontecendo
escrevo do nada, de mim 
talvez algo meu do tocante você talvez algo nosso
mas fala mais que quero ouvir, mas fala mais desse seu calor todo
dessa sua piscina, desse seu lado peixe
dessa cor no seu cabelo que cacho demais, que macio 
subo desço ando esqueço, registro desregistro, 
e passarinho cantou? nada!
na cam, na fotografia, na nuvem que vai descendo pros seus lados
na chuva que passa aqui e não chega aí
no envelope preto, pardo, amarelo
nos selos
tudo parece unha, dedo, mãos, braços, corpo inteiro
e passarinho cantou?
de novo esparramando esparramando
passando nessas calçadas todas, nesses morros nessas curvas
nos caules, nas escadas, na distorção que é sua observação sobre a pequena natureza e o horizonte distante de belo horizonte. a gente quer ver! 

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

concreto

hoje furei meu próprio balão, que barriga carregava
aquele que agita sem onda, sem barco, sem balsa, sem lancha
ar que resolve agitar quando mais preciso horizonte, estático
perfurei ele, ar saindo curvando endireitando ocupando entre paredes

a estrutura de concreto, sem teto, a vegetação nela
meu corpo se enquadra nada, se camufla nada
aponto em direções, orientação e complexidade
aponto em vazio, em box, em azulejo oco

desmoronar ar ar ar ar 
movimento da porta com braços, movimento da mesa
e ocupação, e o ar que furei agora na liberdade 
da entrada da saída, a possibilidade da barriga
a onda agora é perdição, de novo o nada estático
e a onda e a balsa e a lancha onde é moleza o todo
o lugar ocupado pelo ar, pela pele, pelo osso: é puro desequilíbrio

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

fuuuuuuuuuuuh

temperatura do sopro, simbolo em sopro
suspiro dos versos
o vento saindo, o sopro na verdade
os lábios,
inspiração, soprando
inspiração, suspiro
sopro ventania seca, suja, abstrata demais pra sentir
vazia demais, tanto quanto meu estomago agora
deslizando, deslizando, vai vento sai grudando parede a fora
sai fazendo fluxo, as ladeiras, os abismos, a onda do mar bravo

te mando por correio

mensagem de quando me sentindo quando querem somente
também faço isso
de quando fico com quereres e acabo sendo unicamente desejo, desleixo é o que fazem
também criarei minha lista de desejos, também recusarei, também serei assim
eu também, só que talvez, só que nem é isso mesmo que gostaria, que quero
corpo tem a ver com escorrer
que tem a ver com derreter
que dissolve
que muta
que eita
sempre sempre acendendo o mesmo fósforo
queimando a mesma parte da língua
soprando a mesma fumaça, pra falar que fumou
repetições voluntarias, sabidas de que são
ai vê a foto e derretimento, gelo quente fervendo
volta ao estado que era, sabem fazer assim
mas eu não.
não sou gelo, não sou líquido, eu também sei fazer mas é que não sou
quando a gente não é fica na borda do ser, na fantasia, na fotografia encenada, na máscara infantil.
quem sai despedaçando não tem dificuldades com se reconfigurar
quem cata do chão sabe onde encaixar
eu meio que me costuro desengonçadamente, aí, como sempre digo e já falei aqui,
ando torto pela cidade toda, todo mundo jogando olhar em mim, e eu nada sutil, nada implícito.
eu também quero catar bocas, braços, pernas, colares, dentes. reconfigurar o eu, agora!
o instante já, de que diz ela, o it.
como desfecho digo vou procurar ja neu mesmo esses pedaços frouxos pra rancar fora e lançar e saltar e empurrar ladeira acima beijos sumi.

domingo, 4 de janeiro de 2015

tu qué limão ou tu qué mate?

esperando a chegada imaginando a partida
a aproximação como um movimento de distanciamento 
mata trazer pensar perceber notar concluir inferir meu desejo, o privado, censurado, intocado, atrasado, camuflado, destroçado - esse fragmento de vontade é implosão sem ruído. 
perceber você, uma banca, um chiclete, umas frutas. 
desço subo, pago quantas vezes, quantas gotas de suor, tudo compensa, tudo escorrendo e a gente migrando temperaturas. 
uma aposta, uma moça, um mergulho, uma piscina do shopping. 
volto ainda vazio, migro assim, guardando mais proutro mais quesse. 
aproximação dois: distanciando, tu vem aqui tu vem aqui tu vem aqui, mais suor, mais gosto, mais desejo ainda mais, mais agradável beleza ainda mais, espuma, mãos, pés pernas paus. cinco minutos e alguns segundos.
nada e tudo, dilema. e sempre a coisa querendo ser coisa sabendo que é coisa já, e que outra coisa nada é além da própria coisa que é. 
tentando lembrar o momento zaz, trocou. ou só recebeu. a tal da hora minuto zaz que te dei e te recebi, que ficou fazendo falta, agora, devolve, manda de volta aos poucos, ta fazendo falta agora. 
foi você lá carregando esse zaz, dava pra ver de longe. 
fechei os olhos, fui seco, fui pensando no zaz, fechei a porta, aiaiai mais piso fora que dentro, que retorno estranho que volta ridícula, que exposição, que preciso de uma mão sua. 
subi descendo, do 9° pro 1°, e volto tentando captar seu cheiro, o rastro. 
cada vez mais me dou conta da palha pegando fogo, zaz, fogo mais que alastrando vai, tem palha nessa vida toda pra queimar até virar pó, só. 
colar da fortuna tem cheiro de vida, tem cheiro de vida tudo que tem cheiro de água de colônia com pele e colar, e cabelos e cor verde neles.