domingo, 18 de dezembro de 2016

pedi pra não falar comigo

saio de casa, todos os dias
pensando te ver
imagino que me vê
me comporto para você

desejo
seu
olhar
não
mais
que
ti

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

apenas referências

se me arrependo claro
que não hoje 
talvez nunca, 

das palavras 
de dentro pra dentro
da boca
silencio.

o que mede um tempo enquanto somos?
seria intenso enquanto nada, das partes que se dizem 
estar em, com, dentro, em conformidade: desforme
aqui começa aqui se termina. 

mero ponto de partida
pro primeiro esperar você. 
mesmo ponto, lugar, espaço, entrada 
agora a gente desvê. 
ja tenho de você boa coisa
pra sentir paz e 

nada.

mas nada, é tão fácil
lugar branco demais
toalha branca
de projetar
do começo ao 
você, do começo ao eu
é o que sinto, na verdade. 

domingo, 4 de setembro de 2016

fisgada

engessei
e falei de boca vazia
sobre o devaneio
nosso.
ou
meu.
aproximo-me e deixo-me ti.
se, coisa atinge
é bem aqui ó _______
vai-se levantar, o dia começou ontem à noite
assim que se deitou
a lama sob o corpo
que se abre áspero e fascinante. 

eu também deliro,
e não sei por onde essa desgraçada da metáfora entrou
pra expurgá-la.

a gente dói: vejamos.
e é justo a matéria não se revelar
quando é o desvio que nos resta.

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

primeiro ato



assim quem sabe, ser.
me dói, ou conforta
o recreio dos não ditos,
a fantasia genial de projetar
a gente.

segunda-feira, 4 de julho de 2016

azulejo datado

o hoje transpõe um ontem que é eterno.
me pergunto até que momento é memória, outra, é fotografia, é filme: é uma ficcão salva pela experiência que a pele guarda. somos a grafia, a qualquer coisa de viva, reinventada e reafirmada. moléculas em devires a gente. não é medo de dizer -sempre-, mas sabedoria de dizer -hoje- enquanto todos os tempos.
na minha composição algo de você sobressai
e creio
que as formas
são elas descabidas,
ou uma massa quase líquida a preencher o espaço.

sexta-feira, 1 de julho de 2016

ficção

repito!
que o que está fora continuará
caso me interrompa
ou perfure
essa máscara de saberes:
eu serei o mesmo!
eu não serei e sei
do que me atravessa, por tantos caminhos.
não serei, e ensaio
vejo, visto, como quem veste qualquer tecido de mundo
ainda em processo
de desnudar-se
caso alguma alma evapore.
irei ocupar a falta


sexta-feira, 24 de junho de 2016

o cheiro da gente

ser é
ser em medida
da proporção perdida.
da falta ambígua de uma essência.

hoje sou,
mais um
a ser nada, afinal.
é a soma da vontade
nalgum momento
interdita.
é a soma de um
dois
três
corpos, circulantes, numa
cama
pequenamente grande.
enormemente pequena
porque desintegramos.
no teto, além desse,
outros, e por fim
o céu: corre estrelas, fazem um risco
como se fotografado.
enquanto permaneço,
a par de que passo também.
e de tudo, um fragmento: do discurso?
dos pés, das pernas, as mãos, os corpos.
os toques na medida de toques mesmos:
se tocam.
é dissipando a consciência que sou continuado,
à entrega, a dança, a permanência parece reger um fluxo ininterrupto.

da pequena
às grandes mortes.
a noite apertada e longa.
de um lado a parte que me toca, do outro a parte que me toca
do meio a parte que te toca de todos os cantos as partes que se tocam.

quarta-feira, 22 de junho de 2016

vitrine

no livro de Beauvoir
as belas imagens
são a composição
do grotesco.

no livro do Barthes
o discurso amoroso
é fragmento,
mas do todo, que somos. 

no surrealismo de Buñuel
as camadas de possibilidades
do desconforto
da ironia, ao riso
da insonia, do absurdo
nada mais diz que
tudo.


segunda-feira, 13 de junho de 2016

hoje eu acordei

eu, ou meus olhos
mentem
como pessoa mentia.
certa vez te ver encrava
ou desabrocha em
mim.
abre essa parte machucada:
cicatriz sendo ferida.

posso contar à
medida
não tenho com precisão
essa passagem de tempo.
que comparada à minha existência
é tão efêmera.

mas portanto entre
tanto
eu sou esse querer em
forma de renuncia.
é que sei como é ser
lapidada. vez que
o instrumento é o ruido:
esse legado seu.

Zeus:
estou farta de ser incontínua,
interdita
inesférica.
frouxa, embora disposta
à ostentar esse abismo
destapado
no entre.


domingo, 29 de maio de 2016

tempo outro esse nosso, brutalidade de segundos
novidade que transcorre:
horas de corredor, dor, coração empurrando o corpo.
mistérios reforçam, um enigma revelado
cadavérico e somos, esse escuro, 
ou esse negro num cômodo cintilante.

você sorri e encarna as vozes
os textos, os caninos dentes 
singelamente medonhos, brancos. 
uma pita. uma pitada de sal e açúcar. 
assim você traga, enquanto trago o pouco tempo 
ou o até desse roteiro.
uma hora e quinze, da tarde
assim, não o suficiente, os organismos 
levitam salas. 

e é você ainda, sorri, e arregala 
a vontade de continuar. 
pernas na rua, se roçam
e as imagens que criadas, num dia nublado sou 
acaso
um pouco de luz 
desperdiçada.
a vaziez que preenche
um outro sorriso.
o desligado, o esquecido
o que compõe
a
partir
da identidade, que voltei pra buscar.

quarta-feira, 30 de março de 2016

tão cansada

a pergunta é sobre a nuvem negra que paira
a ventania que arrasta a calmaria, vestígios, estrondoso.
a resposta é tão e simples: vertentes, contrastes que convivem 
a língua afiada, o céu
a boca que vasculha as melhores palavras
uma imagem só, amontoada de nadas.
sobrevivo, 
em meio ao caos que nos compõe. 
sou esse ensaio de vida, corrupção.
esses fragmentos de tecer 
mais signos. 
sou a pessoa que dorme e que dói, e que se concentra na falta de concentração. 
desde que sou. eu apesar, sei-o. ou apenas quero algo que não sei, mas sinto que vem. 
o mesmo fluxo de ventania que o leva, o traz. o nada, ou esse algo que não sei, mas sinto que vem. 
enquanto estrondoso, vestígio: sou aquele que vive procurando terra mais firme
 pra pousar.
peito mais quente
pra esfriar.
mãos mais qualquer coisa
pra imprensar.
óculos mais firmes
pra espelhar.
ensaios
pra apresentar
análises
interpretar
palhetas
saturar
estourar
puxar
o ar
pra soltar. 

domingo, 28 de fevereiro de 2016

é super andar de skt na madruga em bh

também hesito. e me preocupo mesmo sabendo da leveza, ou quase ela que você me passa.
que não seja efêmero apesar de sim, amplio sensibilidades.
sei da passagem de cada passagem.
eu lamento minha brecha preenchida de negrume, cansei de negar a mim mesmo que sou.
também anseio, e emagreço com o vento. ando correndo, deslizo mas freio. hoje tenho a pele marcada pelo asfalto.
também cogito a grandeza que seria a soma que seria a embarcada pro nada, pro oceano composto por cada gota de chuva por cada unha mordida fixada entre dentes que sangram e por cada palavra que por cada gesto e por cada café, sem doce.
contei grão por grão e ainda nada disse de mim, espero continuar sendo esse universo comum,  mas obstruído por ser um.
também lamento o glúten, as não idas, ou as idas incompletas: a gente compartilhado ainda o é. o somos. os nadas. de novo nada me vem vem à boca, ele ama.
também me sinto meigo e completo, a distância me desespera. como pisar numa areia fria achando brasa que queima, o pé, o peito (de café), as costas lambidas, arrepio que parte da coluna. venho desde sempre tentando habitar, cômodos de cozinha ao dce. do pêlo, essa composição nua, amo a coragem e a maldade, a comunhão sacra, a doença e o corpo nu, recolhendo sua vergonha.
também ousaria não ver a quem, mas olho no fundo dos olhos, que brilham quando contam de 0 a lugar nenhum de números. tudo uma corrida. que é.
também sou desarticulado, se não é, peço que passe a ser, socorro.
nada a ver.
sou meio humano meio gente, meio dor e meio corpo.
também.
fera burra
na sacada, o dedo sujo de sangue no lençol .
                                                                                                                           corro
pro fim do começo, e retorno logo   (a corrida)                                                                           em
se
gui
da. vou vento.