quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

vende-se

na esquina da tamóios com rua da bahia
bem em frente ao ponto de onibus
tem uma loja de coisinhas variadas, roupas brinquedos material escolar.
um moço que trabalha lá
cada vez me aparece na porta com seus produtos
apropriados no próprio corpo, perde identidadade idade e se é o que se propõe. 
algo de fantasioso mesmo
e o corpo também se monta
ele performa aquilo 
ali, e a proposta é comercial, ao vivo.
vez ou outra alguma criança 
ou pessoa mais de idade
olha pra figura, que também sorri,
a figura aponta
na direção do objeto
na direção do corpo que traduz a intenção
ou qualquer que seja. não posso sair também afirmando demais
eu penso as vezes em pegar ônibus por lá: pela distração

o que tem de bonito nisso: nada
talvez as cores dos penduricalhos etiquetados na china
ou a coisa mundo que move, compra vende
penso se é escape, pelas possibilidades de ser
será?
a meta que precisa ser cumprida todos os meses
seria?
agora ele me aparece com um garfo de três dentes
do diabo
e acende vermelho
ele ainda ri. 

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

rastro essa luz

eu vou sair daqui,
é capaz que me encontrem numa dessas ruas caminhadas dos meus pés.
me perguntaram se é por motivo de cansaço:
me doem algumas coisas embora eu não entenda como cansaço.
estou cansado!
mãe: eu brincava tanto e pedia mais tempo naquele bairro perigoso onde eu cresci
e ostentava meus esconderijos secretos, redundância semântica à infância praticamente suicida.

viver, e estar apaixonado pela seja qual for coisa - não é por motivo de cansaço.
não aceito ter que sair de um hábito para só assim enxergar uma foto na vida.
uma espécie de colher nadas, assim é um artista mesmo, quando coisa.
não aceito quem não reinventa a própria sede. na verdade, eu só não compreendo.

anuncio o concreto que soma ao céu num limite muito sutil, se registro já perco, não tem lógica nisso. eu não sei se aproprio, é que toda essa significação saltita até quando procuro atalhos ocos, quando faço percussos calejados dessas ruas caminhadas dos meus pés...

queria desgarrar esse olhar torto de ver a vida, até perceber que é ele que me mantém viva.
e eu vou sair daqui provavelmente num deslocamento de quem adentra, outra e mais outro instante já. dizer que se vai é ir na direção circulada, redesenha a marca da pegada na poeira, o grão, escurece na luz, que aquece a lâmina de fazer imagem nossa que bobeira é essa

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

não sei se sinto falta ou ar demais

deformo-me num ano novo
de muito nadas.
hoje olhei a folha seca no chão em
meio a tantas outras
folhas. verdes como sou quente.
minhas juntas desmancham,
do estado líquido te grito: ou vão, vem
ser meu?!
mais um tempo em que se medem
na tentativa de limitar
e poder ultrapassar os próprios limites: assim não
se faz subversão.
pensei mais sobre essa de mexer nos significados: até que ponto
te meto uma vírgula?