domingo, 17 de novembro de 2024

vem junto disso a impossibilidade de mover uma pequena pedra de lugar
com apenas a força e o desejo, 
enquanto uma gravidade de mundo a faz resistir. 
foram mais ou menos oito copos de cafés distintos, reencontros não previstos. 
quem é que sabe o que se passa nos oceanos diante da poluição sonora?
a exaustão inaugurada por uma comunicação perfurada, 
a morte e um cemitério assimétrico. 

ontem chorei no autocarro, em um ônibus. ninguém precisa saber. 
e ali uma contemplação dos televisores desligados, 
um relógio desinformando as horas, e eu refazia cada vez as contas pra sintonizar. 
"invento o amor e sei a dor de me lançar"
"não distrai o pensamento, lá na terra já choveu.
meu coração é deserto, lá na terra choveu."
 

quarta-feira, 25 de setembro de 2024

não sei descrever o que me atrai ali, 
um túmulo aberto e uma curiosa vontade de ver, 
sem olhar, também como se o que ali estivesse me visse.
mas tinha uma pior, que era uma espécie de furo. 
a raiz da árvore levantou o mármore, abriu uma janela para
aquela cova já há décadas coberta.
ainda escura, mas uma fissura iluminava, talvez
de dentro para fora. 

terça-feira, 27 de agosto de 2024

quem sabe foi depois de ver algum detalhe que me lembrou
você em meio a uma multidão, a borboleta na mão 
da fátima e eu não estaria mesmo a 
espera um pouco, meus ânimos depois de dois comprimidos me
desconectam do vivo e deste movimento todo, os livros se tornaram
qualquer coisa ali era abstrata até, menos
o café já morno, na verdade era a temperatura certa
pra mim já não era possível te ver e
lá enquanto me distraía e pensava em llansol, lá
me apareceu alguém que a princípio não quis que fosse mas
era totalmente impossível, de que se tratava de
um detalhe, e todo o conjunto disso, era ele
que veio um dia para o porto, e um olhar pode cruzar
tanta informação o suficiente pra distração, mas cruzou alguém quase
que previ tudo isso, quase inesperado, era você. 

segunda-feira, 15 de julho de 2024

tomo proximidades distantes e a maneira de despejar 


quinta-feira, 15 de fevereiro de 2024


e menos terror nessa passagem dos dias: 
não sei se passam pra se chegar nalgum outro, 
ou se é assim mesmo, justamente pela passagem das horas.
aqui um recomeço, objetivos traçados: vitória, pra quem nunca o fez!
é assim, e nao é pra já. fica-se bem, num sitio em condições. 
e deixe estar, porque um deslocamento é e só pode ser no limite do 
esforço? da força. de um foco e de um eco. 
chega de sobremesa à noite, pior horário pra essas merdas. 
ao menos amanhã acordas mais tarde, ou quando quiseres. 
sigo a espera do sei não, as horas passam e nenhum corpo pode limitar essa porcaria.