numa voz, as mais bonitas entre as mais bonitas canções, e o espanto, as imagens.
e um voltar para um qualquer que seja dos mais bonitos entre os mais bonitos lugares, são eles:
o nascer do sol visto de um veículo em movimento.
um gato a beira de um precipício.
uma onda se chocando contra uma enorme pedra, sendo a onda também enorme.
dedos tocando com precisão as cordas de um violão.
um gosto específico de um café específico.
a abstração de imagens comuns projetadas numa parede.
a cabeça encaixada num travesseiro.
um pássaro preto do bico laranja.
tantos outros pássaros, e gaivotas comunicativas.
legumes, lentilhas, frutas.
horas de filmes.
re-andar por ruas que não se passava há anos.
os detalhes, o novo, velho e o que já não existe.
e a memória tão confusa, as vezes.
mas tão violenta e espontânea.
o peixe nadando na superfície de um oceano.
as palavras que, quando ditas, trazem junto as lágrimas.
os furos, poços, porque também são uma estrutura,
e atravessam uma cidade.
o som como surge e ecoa de uma panela, um objeto.
uma canção como surge e ecoa numa casa.
um lugar.
também um pôr do sol, visto através de um onda
que se forma no horizonte.
e então o vento, como levanta a poeira na crista,
que se enrola.
e o ruído dessa estrutura quando se parte, e ecoa.
porque logo ali atrás já se vê outras, e outras ondas.
uma repetição,
que trás consigo uma novidade extraordinária.
e num desenho, numa fumaça, num relógio,
num acorde, numa parede, num contorno,
lábio, sonho, partida e retorno: espiral.