sábado, 4 de janeiro de 2025

para lea

numa voz, as mais bonitas entre as mais bonitas canções, e o espanto, as imagens. 
e um voltar para um qualquer que seja dos mais bonitos entre os mais bonitos lugares, são eles: 
o nascer do sol visto de um veículo em movimento.
um gato a beira de um precipício.
uma onda se chocando contra uma enorme pedra, sendo a onda também enorme. 
dedos tocando com precisão as cordas de um violão. 
um gosto específico de um café específico. 
a abstração de imagens comuns projetadas numa parede. 
a cabeça encaixada num travesseiro. 
um pássaro preto do bico laranja. 
tantos outros pássaros, e gaivotas comunicativas. 
legumes, lentilhas, frutas. 
horas de filmes. 
re-andar por ruas que não se passava há anos. 
os detalhes, o novo, velho e o que já não existe. 
e a memória tão confusa, as vezes. 
mas tão violenta e espontânea. 
o peixe nadando na superfície de um oceano. 
as palavras que, quando ditas, trazem junto as lágrimas. 
os furos, poços, porque também são uma estrutura, 
e atravessam uma cidade. 
o som como surge e ecoa de uma panela, um objeto.
uma canção como surge e ecoa numa casa.  
um lugar. 
também um pôr do sol, visto através de um onda
que se forma no horizonte. 
e então o vento, como levanta a poeira na crista, 
que se enrola. 
e o ruído dessa estrutura quando se parte, e ecoa. 
porque logo ali atrás já se vê outras, e outras ondas. 
uma repetição,
que trás consigo uma novidade extraordinária. 
e num desenho, numa fumaça, num relógio, 
num acorde, numa parede, num contorno, 
lábio, sonho, partida e retorno: espiral. 

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