sexta-feira, 28 de novembro de 2014

to com bafo, sai de perto

não estarei aqui a hora e tempo e lugar que precisar de eu
não direi baixinho o que quer ouvir, vou gritar o que não quero falar baixo
vou berrar ocultos, vou fazer miado da mentira tão pouca tão idiota tão suja
a verdade que também não tem nada de bela eu faço questão dela bem encostada

agora eu me
   lançando do outro lado
agora eu modesto, seja modesto jose
agora eu desespero, falta de ar (já tá batido), coração
                                                                                    zumbido
parece que todo mar é vivo, parece que todo céu é mentiroso
é perto longe
é chuva cinzentada, é cor na água

não direi jamais o que quero dizer, jamais direi
é que não sei o que quero, nunca se sabe. será alguém sabe?
vou estar, assim como quem está sempre por fazer por estar
eu berrando rasgando tudo, saindo tudo palpável, deglutível, pra você, sabia?

amanhã implorarei por
     desistir é caminho, parece perder mas é seguir, parece
chuva, parece quem tem medo
                                                 agora chupo, agora sangro da garganta pra boca
agora dói estomago sem fome, e perturba mais por questão física que química

uhum me derreto de estático, de frio
procurando santo pra essa e outra
procurando um cara bem assim, bem assado

como se não falar fosse meu pecado
sentindo que se eu falar nada falei, que se eu contar nunca saberão
sentindo que sou falho de algumas partes, e outras sensações
me fizeram faltando pedaço, algumas ações que os ascendem
mas eu mesmo jamais sinto minha cabeça como a árvore de natal, como a alternância do brilho.

fosco
tosco
sem cor
sem luz
sem cheiro
sem tempero
deitado
sem desfecho
me mordem todo, me rancam o tronco, me recolhem no lugar morto que vivo torto, sem ronco, aqui nessa vila sombria tem mais vida que sobre a terra, sob a terra tem tudo, tem raiz que tudo dá, tem osso que plantaram cá, tem bicho vivo e morto, aqui tem tudo que procurei, silencio, água caindo de vez em quando, só não tem luz, mas eu invento ela saindo de dentro daquele oco, do furinho que fizeram pra entrar mais terra, to respirando algo meio seco, engolindo esse tronco parece que todo, parece que bicho entrou no meu sopro, to cuspindo gente, olha que cor linda. to arrotando bicho, saindo daqui praí, e eu absorvendo essa paz daqui, até que eu comece a falar por mato, pelo galho e pelo vermelho da terra preta azul, é tudo cor aqui, nem tinha reparado - agora com mato na voz.

Nenhum comentário: