sábado, 4 de janeiro de 2025

para lea

numa voz, as mais bonitas entre as mais bonitas canções, e o espanto, as imagens. 
e um voltar para um qualquer que seja dos mais bonitos entre os mais bonitos lugares, são eles: 
o nascer do sol visto de um veículo em movimento.
um gato a beira de um precipício.
uma onda se chocando contra uma enorme pedra, sendo a onda também enorme. 
dedos tocando com precisão as cordas de um violão. 
um gosto específico de um café específico. 
a abstração de imagens comuns projetadas numa parede. 
a cabeça encaixada num travesseiro. 
um pássaro preto do bico laranja. 
tantos outros pássaros, e gaivotas comunicativas. 
legumes, lentilhas, frutas. 
horas de filmes. 
re-andar por ruas que não se passava há anos. 
os detalhes, o novo, velho e o que já não existe. 
e a memória tão confusa, as vezes. 
mas tão violenta e espontânea. 
o peixe nadando na superfície de um oceano. 
as palavras que, quando ditas, trazem junto as lágrimas. 
os furos, poços, porque também são uma estrutura, 
e atravessam uma cidade. 
o som como surge e ecoa de uma panela, um objeto.
uma canção como surge e ecoa numa casa.  
um lugar. 
também um pôr do sol, visto através de um onda
que se forma no horizonte. 
e então o vento, como levanta a poeira na crista, 
que se enrola. 
e o ruído dessa estrutura quando se parte, e ecoa. 
porque logo ali atrás já se vê outras, e outras ondas. 
uma repetição,
que trás consigo uma novidade extraordinária. 
e num desenho, numa fumaça, num relógio, 
num acorde, numa parede, num contorno, 
lábio, sonho, partida e retorno: espiral. 

domingo, 17 de novembro de 2024

vem junto disso a impossibilidade de mover uma pequena pedra de lugar
com apenas a força e o desejo, 
enquanto uma gravidade de mundo a faz resistir. 
foram mais ou menos oito copos de cafés distintos, reencontros não previstos. 
quem é que sabe o que se passa nos oceanos diante da poluição sonora?
a exaustão inaugurada por uma comunicação perfurada, 
a morte e um cemitério assimétrico. 

ontem chorei no autocarro, em um ônibus. ninguém precisa saber. 
e ali uma contemplação dos televisores desligados, 
um relógio desinformando as horas, e eu refazia cada vez as contas pra sintonizar. 
"invento o amor e sei a dor de me lançar"
"não distrai o pensamento, lá na terra já choveu.
meu coração é deserto, lá na terra choveu."
 

quarta-feira, 25 de setembro de 2024

não sei descrever o que me atrai ali, 
um túmulo aberto e uma curiosa vontade de ver, 
sem olhar, também como se o que ali estivesse me visse.
mas tinha uma pior, que era uma espécie de furo. 
a raiz da árvore levantou o mármore, abriu uma janela para
aquela cova já há décadas coberta.
ainda escura, mas uma fissura iluminava, talvez
de dentro para fora. 

terça-feira, 27 de agosto de 2024

quem sabe foi depois de ver algum detalhe que me lembrou
você em meio a uma multidão, a borboleta na mão 
da fátima e eu não estaria mesmo a 
espera um pouco, meus ânimos depois de dois comprimidos me
desconectam do vivo e deste movimento todo, os livros se tornaram
qualquer coisa ali era abstrata até, menos
o café já morno, na verdade era a temperatura certa
pra mim já não era possível te ver e
lá enquanto me distraía e pensava em llansol, lá
me apareceu alguém que a princípio não quis que fosse mas
era totalmente impossível, de que se tratava de
um detalhe, e todo o conjunto disso, era ele
que veio um dia para o porto, e um olhar pode cruzar
tanta informação o suficiente pra distração, mas cruzou alguém quase
que previ tudo isso, quase inesperado, era você. 

segunda-feira, 15 de julho de 2024

tomo proximidades distantes e a maneira de despejar 


quinta-feira, 15 de fevereiro de 2024


e menos terror nessa passagem dos dias: 
não sei se passam pra se chegar nalgum outro, 
ou se é assim mesmo, justamente pela passagem das horas.
aqui um recomeço, objetivos traçados: vitória, pra quem nunca o fez!
é assim, e nao é pra já. fica-se bem, num sitio em condições. 
e deixe estar, porque um deslocamento é e só pode ser no limite do 
esforço? da força. de um foco e de um eco. 
chega de sobremesa à noite, pior horário pra essas merdas. 
ao menos amanhã acordas mais tarde, ou quando quiseres. 
sigo a espera do sei não, as horas passam e nenhum corpo pode limitar essa porcaria.

domingo, 3 de dezembro de 2023

se há ou houve uma linha que cruzei, desconheço 
esse limite e quem quer eu tenha visto ali,
mas é inevitável na pele, que sente a transição
e que não é capaz de saltar uma diferença.
tão imensa, sem que os pêlos se arrepiem
no horror que é ou que houve, ou que faz vazio 
do próprio frio. 

hoje confio, no aguardar.
talvez quem cruze e enxergue esse contorno, 
ou que saiba furar uma borda. 
alguém que houve 
ou que há de vir. 


terça-feira, 15 de agosto de 2023

por un camino torcido,
caliente y lleno, de moras en las ramas.
que perforan el dedo tan dulce como puede ser.
tanta gente compartiendo una playa y los granos de arena,
clavado al cuerpo.
aqui me doy cuenta: algo puede tener la duración
de un día completo, o terminar allí en la fase donde comienza un nuevo.

alguna piedra de este edificio, la isla toda tuya, allí incrustada.
vivo, y un pez, con dos ojos en la cabeza, incrustado en la tierra.
como si esperara que un pie le tocara, la piel húmeda, los ojos desde abajo,
mirando al cielo.

terça-feira, 1 de agosto de 2023

 pousando conchas na pele

o sal ja seco, e depois de alguns goles de álcool 
não sei bem o desenho que proponho ali. 

uma foto para o registro e nada mais que tenha vindo antes, e o que sucedeu. 

inflando meu maldito eu teatralizado em alguns minutos de encontro,
como se os problemas fossem mesmo questão de hábito, 
porque o resto da vida e o médico da família, comprovativo de morada 
e o caralho, depois o ordenado vai aumentar e 
pronto, o resto da vida é uma vida como a que resta em tanta gente.

agradeço imenso o elogio como me olhas e me trazes comentários e ressaltamentos 
dos meus bons traços e os talentos tão disperdiçados na contramão de alguma forma 
de fazer dinheiro com isso, de fazer sentido enquanto se perde o mesmo sentido. e tudo, 
se perde tudo assim.

eu adoraria o seu sorriso de quem ainda enxerga alguma 
de quem prospecta e ainda tem preocupações anteriores aos trinta.


segunda-feira, 31 de julho de 2023

acontece que quase toda imagem me é mais: 
o sol no mato, o sol na água, o sol e a sombra dividindo quase ao meio um espaço.
o rosto se contorcendo e as palavras satisfeitas, 
eu assistindo tudo na mais segura distância, me é mais. 

eu tomo esse recuo se calhar por algo de preservar a minha qualquer que seja coisa.
e não.
à beira da observação, porque a verdade tátil sobre os fatos me descompõe. 
é como se o rio no entre me molhasse mais que o mergulho,
é como se um texto, em si, não fosse o que é, 
e sim o que um texto poderia escrever. 

quinta-feira, 6 de julho de 2023

também não me ia e se me vem 
isso cai
e fica assim boiando na moralidade
porque a falta que me cabe metida ali
preenchendo a lacuna doutra parte 
e eu prossigo na profunda tristeza
que é por ser uma pessoa boba

comprando todos os dias pêssegos
e as variações disso
peço desculpas a quem me viu assim 
com um fio amarelo na barba
um vinho só pra mim

eu olho pra isso e a imagem é toda 
a minha cara
meu receio é você se encontrar
no que sempre foi você
apesar de estar nisso a minha paz

domingo, 18 de junho de 2023

 o imenso prazer na praticidade de coisas óbvias e presentes em qualquer banalidade de vida
e também eu só podia sentir falta de tudo tão especificamente indecifrável, a palavra faz me imensa diferença, e sei que a tenho. eu só não a quero usar ou ter de. 
eu queria estar do outro lado mas com o pouco do lado daqui, deste lado e nenhum. 
não é poesia nem nada, é falta. ou melhor, é nada. esquece.  

segunda-feira, 5 de junho de 2023

pergunto ao meu limite a quantidade de café por hoje.
depois é só mesmo respirar lentamente e a rigidez do maxilar,
os dentes cerrados aos poucos se vão sumindo, é assim a desarmonia da cena.
e o lado qualquer disso tudo é que é bonito, 
não ter resposta sobre a fronteira e a bobeira.
sem fio que conduz uma dureza de texto,
sem saber minha altura, sem atingir a idade embora eu saiba uma delas por vez.
deixa arrefecer.

domingo, 23 de abril de 2023

 em meio a sua presença eu senti a falta que me fez mesmo ferida foi na ausência. independente do que somos, eu alguma maneira encontrei de sofrer nisso enquanto me alegro em ver o tamanho gordo e peludinho das abelhas e a sua insistência em capturar uma imagem mais nítida e estática. 

quinta-feira, 29 de dezembro de 2022

eu nunca convivi com tanta água e tudo parece querer ruir a qualquer hora dessas.
ou invadido pelo mofo.
eu nunca convivi com tanta dor nas costas e pesos. eu odeio carregar mochila enquanto pedalo. 
eu odeio carregar objetos que não me pertencem, mas eu precisava. 
por que será que mais apareço enquanto queria o apagamento, não o meu por completo, claro, mas o da superfície daquilo que não é aparente. 
antes escrevia (quem?) num exercício desprendido, mas a vida foi distorcendo um lado essencial das coisas; e o olhar para o detalhe na imagem, as vezes, é ensaiado, sabe?
ou seja, não vou falar de outra forma mesmo que de outra forma, odeio a repetição, mas adoro uma pessoa de manias, e rituais. 


segunda-feira, 22 de agosto de 2022

uma folha nao cai se nao foi autorizada a fazê-lo e é essa frase em desautoridade, e é mesmo um fluxo das negações e os drenos, o espremer ate se chegar naquilo que é a água de um corpo essencial. 
o corpo essencial então a matéria, organismo, contra vontade do resto de tudo: salta. 
e agora cada uma dessas falas que precisam tambem de dreno e nao vai sobrar nada, pois. 
e agora o sexo.
a autoridade que eu queria fazer derreter depois colher algumas partes para comer, diga-la se faríamos aqui resíduo ou medo. 

quarta-feira, 17 de agosto de 2022

de se admirar os diversos usos e as palavras em cambios como perceber ou partir algo, hoje mesmo tenho os braços magoados com três pensos que vāo me arrancar alguns pelos mais tarde 

domingo, 7 de agosto de 2022

 pronto também quero dizer da escrita e ela é meio um furo na parte que nao cabe as palavras no entanto está viva e vai ganhando forma sabe se la como 

domingo, 24 de julho de 2022

 eu sou a indecisão desalinhada em completo estado de desequilíbrio uma vez que o lado de peso está para ambos e outra vez porque eu chamo de desequilíbrio uns pedaços de razões determinantes para a não escolha de qualquer que seja eu sei ninguém está a perceber

terça-feira, 14 de junho de 2022

me incomoda a incapacidade de medir a distância das coisas no corpo, se eu soubesse sentir a distância do corpo nas coisas, e da geografia e os territórios e as bordas e as margens. 

a água deste mar frio, seus olhos e a gente se desaproximando a cada passo em que dela me aproximo.

a margem das nuvens.

preparei minha comida e os sonhos, o calor das noites e minha janela é insegura. 

hoje as nuvens impedem o sol de me fazer triste mais um pouco, mas a expectativa, eu não quero falar inglês.